28/08/2025

Minicurso - Música e Cosmovisão: curso de filosofia da música

Online

O curso “Música e Cosmovisão: curso de filosofia da música” consiste em cinco videoaulas que serão disponibilizadas online, de modo aberto, no canal do Grupo de Pesquisa em Idealismo Alemão e Arte (GPIAA) no Youtube. O curso cumpre simultaneamente as funções de ensino e propagação da filosofia da música e de divulgação dos resultados da pesquisa. Trata da relação entre cosmovisão e música a partir da perspectiva desta pesquisa, somando aulas sobre música na Antiguidade Grega e em Platão e na filosofia de Susanne Langer. Além dos membros do projeto, Prof. Adriano Kurle e Prof. Fabrício Fortes, o curso também traz a cooperação do Prof. Walter Gomide (Filosofia, UFMT) e do Prof. Joel Paese (Sociologia e Ciências Políticas, UFMT). As aulas foram gravadas e editadas no Yoda Estúdios, em Cuiabá. O minicurso é composto por cinco aulas e está disponível no canal do Youtube do GPIAA (@GrupodePesquisaIdealismoAlemao), no link https://www.youtube.com/playlist?list=PLgBnctVs22epF59VU6A5SnQ0l-UJ5nw1M


Resumo das aulas:



Aula 1: Introdução do curso, com apresentação das ideias fundamentais da pesquisa e os resumos de cada aula. Ministrada pelo Prof. Dr. Adriano Kurle.


Aula 2: A Teoria do Ethos Musical: o caso de Platão – Prof. Dr. Walter Gomide (Filosofia, UFMT, Cuiabá)


A teoria do ethos musical é uma doutrina que postula que a música exerce influência na formação do caráter das pessoas e, por conseguinte, tem relevância na estruturação da personalidade dos cidadãos ou dos pertencentes a um dado grupo social. Na Antiguidade Grega, um dos mais ilustre expoentes da teoria do ethos musical foi Damon de Atenas (século V A.C), um musicólogo que exerceu forte influência na concepção que Platão tem da música e de seu caráter formativo. No diálogo “A República”, Platão cita Damon como fonte de autoridade para justificar a tese de que, em uma sociedade ideal, a música deveria ser usada com fins pedagógicos. Em especial, Platão, na esteira de Damon, afirma que em uma sociedade perfeita, perfeição essa adquirida por analogia com a estrutura de uma alma sadia, os modos ou as harmonias permitidas para a formação dos seus cidadãos seriam somente os modos dórico e frígio. Nesta aula, procura-se apresentar as características (apresentadas de forma matemática) de tais modos a partir do sistema temperado atual e, a partir da distribuição dos tons e semitons presentes em tais modos, verificar a pertinência da tese de Platão de que os modos dórico e frígio, respectivamente, incitariam na alma a coragem e o entusiasmo. Exemplos musicais serão apresentados na tentativa de ilustrar o mais adequadamente possível as concepção de Platão sobre o efeito formativo de caráter dos modos dórico e jônico.


Aula 3: Representação simbólica na música – Prof. Dr. Fabrício Pires Fortes (Filosofia, IFMT – Alta Floresta)


A aula apresenta uma discussão sobre a relação entre a música e sua representação simbólica. Parte-se de uma caracterização geral da representação simbólica, distinguindo-a da noção de representação material, isto é, aquela que consistiria em uma remissão a conteúdos extramusicais, como narrativas ou emoções. Em seguida, apresenta-se o conceito de representação simbólica a partir de duas concepções, a saber, 1) aquela de viés platonista, que trata a representação simbólica como um código secundário (não-musical) para registro de informação musical; 2) uma concepção nominalista, de acordo com a qual a partitura é o fundamento da obra musical, sendo que a correlação exata da performance com a partitura é entendida como o critério para distinguir entre as execuções que são legítimas instâncias de uma obra e aquelas que não o são. A análise crítica dessas duas concepções nos conduz a uma leitura segundo a qual a representação simbólica cumpre um papel constitutivo em relação ao pensamento musical. Desse modo, entende-se que o poder expressivo de um sistema representacional determina os limites e as possibilidades da própria criação musical. Essa tese é sustentada, em primeiro lugar, por algumas ideias de Leibniz sobre o papel dos signos no pensamento e seu conceito de conhecimento simbólico. Em segundo lugar, a tese é fortalecida com exemplos extraídos da história da música e da notação musical, tais como a passagem da monodia à polifonia no século XIII (e a mudança notacional que a permitiu) e a proposta de um novo sistema de notação musical no século XVIII por Jean-Jacques Rousseau.


Aula 4: Construtivismo e dialética na música: um viés hegeliano – Prof. Dr. Adriano Bueno Kurle (Filosofia, UFMT, Cuiabá)


Nesta aula, se busca apresentar uma concepção de construtivismo musical mediante a apropriação e interpretação da filosofia de Hegel, em especial de seus Cursos de Filosofia da Arte e da Enciclopédia das Ciências Filosóficas. Defende-se que de Hegel podemos extrair uma concepção construtivista historicista regulada. Para tanto, a aula percorre as seguintes etapas de apresentação: i) apresentação do conceito de Espírito absoluto como autointerpretação coletiva; ii) a definição de arte e a cosmovisão [Weltanschauung]; iii) a historicidade da arte; iv) os aspectos da música: tempo, subjetividade e interioridade subjetiva; v) construtivismo musical: o construtivismo historicista regulado mediante Hegel; vi) conclusão: avaliação crítica da proposta: vantagens e desvantagens

Aula 5: Arte e simbolismo na obra de Susanne Langer – Prof. Dr. Joel Paese (Sociologia e Ciências Políticas, UFMT, Cuiabá)


A aula discorre sobre a teoria da arte de Susanne Langer, a partir do conceito de “formas simbólicas”, apresentado por Ernst Cassirer. Dentre os vários aspectos de sua formulação, vamos nos deter na concepção da arte como a produção de formas e sua expressão pelo símbolo. A análise parte da distinção entre substância e função, apresentada por Cassirer, e explana o modo pelo qual a forma se impõe no trabalho do artista; cabe a ele tecer uma estrutura significante. É esse sistema de relações que articula o conteúdo e possibilita à arte alcançar expressão; a criação do artista converte-se, então, no efeito do seu posicionamento nesse sistema. Surge um novo objeto – objeto de segunda ordem – em lugar do objeto da percepção sensorial – objeto de primeira ordem. O seu conteúdo é expresso por intermédio das relações entre seus elementos particulares, de modo a estabelecer uma conexão de necessidade - “relações funcionais internamente consistentes“. O significado emergirá, portanto, do posicionamento do significante em uma função enunciativa – a forma pura –, que se ergue a partir de uma coordenação sintática.

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