27/03/2025
Epicuro: Carta sobre a felicidade e outros escritos
Livro
Autor: Epicuro
Título: Carta sobre a felicidade e outros escritos
Editora L&pm
Porto Alegre 2035
Tradução e apresentação:David Bezerra
Tradução completa da obra de Epicuro, o que inclui, além das obras morais, já traduzidas algumas vezes para o português brasileiro, Máximas Capitais e Sentenças Vaticanas, as obras sobre a filosofia natural (ou filosofia da physis), e os fragmentos. Ou seja, compreende o que se encontra na fonte primária mais longínqua, Diógenes Laércio (Livro X), e os fragmentos encontrados posteriormente na Biblioteca do Vaticano e nos Papiros de Herculanum.
A versão é feita a partir do grego helenístico, da época da decadência da civilização grega, antes de se transformar na língua koiné, ou comum, que tomaria uma faixa extensa de terra, indo da Macedônia até a Índia. A Macedônia, atacada pela Grécia com o estímulo de Demóstenes, que viu na administração de Felipe II, pai de Alexandre, o grande, uma ameaça crescente às terras helênicas, já que organizou o estado e fortaleceu o exército, é o primeiro dos impérios estrangeiros que sufocaria a liberdade de Atenas e outras cidades-estados, a seguir sendo substituído pelo Império Romano e depois pelo Otomano, vindo a conhecer uma liberdade duradora apenas no século XX.
No cenário caótico da guerra, Epicuro propõe uma filosofia radical, uma resposta ao seu tempo, isto é, ele nega a erudição da filosofia que o antecedia, notadamente Platão e Aristóteles, para se dedicar ao que interessa em tempos de exceção, a sobrevivência. Assim, ele se pergunta o que é a felicidade e como alcançá-la. A sua resposta é a ataraxia combinada com a aponia, ou seja, a ausência de perturbação no espírito combinada com a ausência de dor no corpo. Nada é agregado a esse conceito, como, por exemplo, os bens primários ou indiferentes, conceito presente na ideia de felicidade de Aristóteles. Tão pouco a virtude descolada da realidade, como presente na ideia de felicidade da dupla Sócrates-Platão. Mas, sendo assim, o que explica em seu pensamento a ‘Carta a Heródoto’ e a ‘Carta a Pítocles’, sobre a filosofia natural? O medo de ter o mesmo destino de Sócrates, ser condenado por assebeia ou impiedade contra os deuses. O filósofo tenta demonstrar que, apesar de não crer nos deuses, contra eles nada tem a dizer.