11/02/2026

Tecido do real - linguagem, acontecimento e sujeito em Alain Badiou

O trabalho apresenta dois textos absolutamente inéditos do pensador Alain Badiou, inclusive para o público francês. Se trata de sua defesa da “habilitação para a direção de pesquisa” (HDR), instância francesa que torna o/a pesquisador/a apto/a a orientar teses de doutorado. Uma das exigências é haver publicado dois livros. Depois de vinte anos como professor, eis que em 1989 Badiou, aos 53 anos, pode ser orientador de doutorado, dirigir teses. Armou-se então ilustre banca, composta por ninguém menos que Jacques Rancière, Jean-François Lyotard, Philippe Lacoue-Labarthe, Jean-Toussaint Desanti e Jacques Poulain. O tom pessoal se conecta com o chamado momento francês da filosofia. O autor parte de Sartre e o desloca, pensando na figura do sujeito como efeito de um real que o atravessa. Reivindica uma ontologia baseada na teoria dos conjuntos e renova o conceito de verdade, como processo aberto de um sujeito. Se oferece ao leitor um excelente resumo de sua filosofia, temperado pela política imanente de Maio de 68 e seu efeito de militância, bem como, em literatura, os imperativos saídos da pluma de Beckett e as formalizações de Mallarmé.

Já o texto sobre o “in-finito das verdades” anuncia ideias presentes em obras posteriores, como “Lógicas dos mundos” (2006, ainda não traduzido para o português), segundo tomo de seu sistema, inaugurado por “Ser e acontecimento” (1988). Seguindo a maneira sintética que marca sua prática docente, Badiou exerce a ética do dizer claro, um de seus termos, para defender a ideia de verdade como uma repetição presente que reúne pontos dispersos no tempo. Em outras palavras, o infinito é experenciado desde nossa condição finita. Sua data exata não pode ser precisada pelo autor, em recente consulta.

Por fim, o livro conta ainda com uma longa entrevista, com mais de duas horas de duração, gentilmente concedida quando de nossa estadia na França, em setembro de 2024, graças a uma bolsa da Fondation Maison des Sciences de l’Homme (FMSH). Badiou destrincha termos técnicos de sua teoria, concentrando-se sobretudo em três frentes: teoria do sujeito (o sujeito como efeito e a possibilidade de sua descrição); a necessidade de uma política comunista para evitar uma catástrofe em escala global; sua interlocução privilegiada com um dos maiores filósofos contemporâneos, Gilles Deleuze.

Seleção, tradução e apresentação de Gustavo Chataignier. Introdução de Gabriel Tupinambá. 

Link: https://fundarfenix.com.br/ebook/418tecido-do-real-linguagem-acontecimento-e-sujeito-em-alain-badiou/