24/08/2026
Arthur C. Danto: transfigurações e recredenciamentos na arte contemporânea
Guarulhos

Em 2026, completaram-se 45 anos da publicação da obra de Arthur C. Danto, A transfiguração do lugar-comum (1981), e 40 anos da publicação da coletânea de artigos O descredenciamento filosófico da arte (1986); em 2028, serão 30 anos de “The End of Art: A Philosophical Defense” (1998). Essas datas servem de ensejo a uma reflexão a respeito de sua obra, o objeto do dossiê temático da revista Limiar que aqui propomos.
O núcleo da filosofia da arte de Danto é a busca por uma definição de obra que dê conta da pluralidade de concepções artísticas e filosóficas identificadas na arte contemporânea. A Brillo Box de Andy Warhol vai ao encontro dessa questão: o que distinguiria uma obra de arte de um objeto comum, ambos semelhantes perceptualmente? O autor investiga o contexto cultural necessário para que uma obra exista e de que forma o mundo da arte fornece subsídios para tal. Em A transfiguração do lugar-comum, Danto explora as condições necessárias para algo ser uma obra de arte: a primeira, que ela tenha significado, isto é, seja sobre algo; a segunda, que esse significado seja corporificado na obra. Danto desenvolve reflexões sobre o tema da filosofia da história da arte nos ensaios publicados em O descredenciamento filosófico da arte. Esse tema contempla questões sobre as relações entre filosofia e arte, especialmente nos debates sobre arte contemporânea. Entre as principais, destacam-se o suspeito “descredenciamento” filosófico imposto à arte; a questão do “fim da arte” e a chamada “arte pós-histórica”; as relações entre filosofia e literatura; e a recepção e interpretação das vanguardas artísticas, entre outras questões. Finalmente, o artigo de 1998 é especialmente importante porque Danto responde ali às críticas à sua tese do “fim da arte”.
Nosso horizonte de reflexão sobre arte deve muito ao tratamento filosófico dessas questões. O modo como essas práticas foram abordadas pelos membros do mundo da arte – noção tematizada por Danto desde os anos 1960 – e, por outro lado, como foram questionadas ou rechaçadas por críticos desse sistema, é instrutivo sobre o pensamento artístico de sua época e sobre os debates que caracterizam o nosso tempo. É imprescindível considerar o que artistas e outros agentes – dentro ou fora de museus, universidades e galerias, incluindo os que estão nessas instituições para questioná-las radicalmente, como na arte indígena contemporânea e na arte decolonial em geral – têm a dizer sobre tais questões. Trata-se de considerar essas e outras questões a partir do que se produz hoje, tanto na arte quanto na filosofia, e avaliar em que medida os “descredenciamentos” filosóficos e políticos impostos à arte contemporânea são relevantes para nossa compreensão da arte.
Propomos o dossiê temático dedicado às transfigurações e aos recredenciamentos na arte contemporânea com o objetivo de reunir trabalhos autorais que envolvam temas debatidos a partir do pensamento de Danto, além de questões filosóficas relativas à arte contemporânea, sua definição e seus limites. Também serão considerados textos que abordem os debates sobre a recepção e a repercussão de sua obra, entre outras possibilidades de estudos voltados para as relações entre arte e filosofia.
Artigos e resenhas para esta chamada deverão ser enviados por meio do sistema de submissão da revista Limiar e para o e-mail grupo.arthur.danto@gmail.com até 31 de agosto de 2027. Publicação prevista para o primeiro semestre de 2028.
Luciano Gatti (UNIFESP) – editor responsável
Carlos Henrique Moller (UNIFESP) e Vinicius Oliveira Sanfelice (UNIFESP) – editores convidados.