27/03/2025

Chamada para Submissão de Artigos - Dossiê Temático: A filosofia no século XIX: profissão, nação, revolução

São Paulo

Mais do que um recorte cronológico, o século XIX representou um período de profundas transformações para a filosofia. É nesse momento que surge a profissão de filósofo, quando o professor universitário e funcionário do Estado passa a ensinar história da filosofia. Ao mesmo tempo, os intelectuais dos nascentes Estados-nações mobilizam o discurso filosófico para a construção de identidades nacionais. Por fim, em um movimento divergente – mas complementar –, a filosofia assume formas de ruptura (epistêmica e política) em relação a compreensões do Estado, da economia e da sociedade que levaram a movimentos políticos responsáveis por moldar profundamente não apenas o século XIX, mas todo o século XX, chegando mesmo até nós.

 

Este dossiê da Poliética – Revista de Ética e Filosofia da PUC São Paulo convida pesquisadoras e pesquisadores a enviarem artigos que tratem da filosofia do século XIX, colocando autores e obras em seu tempo. Não se trata de uma preocupação “historicista”, mas de um interesse pela estranheza gerada por um tempo não tão distante de nós. Eis algumas questões que podem orientar e estimular as contribuições:

 

• No século XIX, que lugar ocupou a história da filosofia na constituição da profissão de filósofo? Como a filosofia se tornou uma ocupação universitária legitimada pelo Estado? Que consequências isso trouxe para a prática filosófica? Por outro lado, como se deu a autonomização do ofício de filósofo, ao distinguir suas competências de nascentes disciplinas como a sociologia, a antropologia, a biologia, a filologia, a crítica literária e a psicologia? Que transformações ocorreram nas fronteiras disciplinares entre esses saberes?


• A constituição de Estados nacionais é inseparável do trabalho de legitimação intelectual dessas novas identidades. Ao longo do século XIX, como a filosofia contribuiu para a criação de ideais de nação? Considerando a América Latina e os processos de independência nacional, que papéis teve a filosofia na promoção de diferenças entre colonizados e colonizadores? Em que medida a criação de novas identidades nacionais promoveu importantes exclusões, tanto dos saberes dos povos originários, quanto das populações escravizadas? De que maneira o mundo intelectual de nações recémindependentes apagou a trajetória de mulheres filósofas que por vezes produziram filosofia em formas textuais consideradas divergentes?


• Por fim, qual a relação entre a filosofia e os movimentos políticos (partidos, lutas por independência, revoltas) que, no século XIX, passaram ao largo da vida universitária e constituíram ideais de revolução, efêmeros ou duradouros? Como a filosofia se constituiu em uma filosofia política que é também uma política da filosofia, no sentido de um discurso orientador de práticas coletivas, com suas unidades e divergências?

 

Prazo para envio dos textos: 31 de maio de 2025

Normas para submissão: revistas.pucsp.br/index.php/PoliEtica/about/submissions#onlineSubmissions.

Editor convidado: Júlio Canhada (UFSCar, FAPESP)

Editores: Maria Constança Peres Pissara (PUC-SP), Barbara Rodrigues Barbosa (UNIFESP), Alessandro Francisco (Collège International de Philosophie)

Em caso de dúvidas, escrever para juliocanhada@yahoo.com.br

Link: https://revistas.pucsp.br/index.php/PoliEtica/announcement/view/740