Nota de Pesar do Departamento de Filosofia da FFC/UNESP pelo falecimento do Professor José Carlos Bruni
24/11/2025 • Notas e Comunicados
É com bastante tristeza que soubemos do decesso do Professor José Carlos Bruni (1940-2025), ocorrido no dia 12 de novembro de 2025. Professor aposentado da Sociologia-Usp (1977-1997) e da Filosofia-Unesp (1997-2009) deixa uma obra intelectual marcada pela atualidade, rigor e seriedade, e por uma docência que transformava o pensamento em experiência formadora.
Nascido em 1940, Bruni formou-se em Filosofia pela USP em 1963. Começou a lecionar em 1966 e fez parte de uma geração que viu a experiência de docência e pesquisa na universidade se tornar quantitativa e operatória, entre a massificação do ensino universitário na ditadura e a ascensão do neoliberalismo com as outras exigências que passaram a ser exigidas do professor universitário. Refletiu corajosamente sobre esta realidade em seus textos sem deixar de preservar a esperança poética e filosófica. Manteve sempre o valor da “docência formadora” e a disposição para abrir novas perspectivas de reflexão.
Na Unesp de Marília em 2001, Bruni transformou um discurso de paraninfo (publicado na Revista Trans/Form/Ação) em um ensaio emblemático de seu estilo intelectual. Esse gesto sintetizava sua maneira de ensinar, o cuidado da análise de texto convertida em sentido filosófico, a surpresa refinada que quebra as convenções e procura significados profundos nas pequenas coisas. Seus textos sempre tinham algo de surpreendente e inovador, pareciam emulsões inusitadas de profundidade em questões aparentemente simples. Sem pedantismo, tratava de temas atuais com erudição e simplicidade, manifestava aquele aprofundamento difícil de alcançar.
Bruni era, acima de tudo, um professor no sentido mais generoso do termo. Suas aulas eram um espetáculo vivo de reflexão filosófica a que assistíamos basbaques. Seu tempo de convivência conosco foi marcado pelo afeto, pela provocação intelectual e pela cumplicidade. Com amigos, alunos e orientandos, partilhava aventuras do espírito e certo lirismo no rigor da reflexão filosófica.
Com Bruni aprendemos que pensar é, antes de tudo, um ato de liberdade.
Texto redigido pelo Professor Ricardo Monteagudo - Departamento de Filosofia/FFC/UNESP