Nota de repúdio do GT Raça, Gênero e Classe da Anpof à operação de morte da polícia do Rio de Janeiro
31/10/2025 • Notas e Comunicados
GT Raça, Gênero e Classe da Anpof
O Grupo de Trabalho de Raça, Gênero e Classe (Anpof) vem repudiar veementemente a operação de morte da polícia do Rio de Janeiro sob comando do atual governo racista, realizada no dia 28.10.25 nos complexos do Alemão e da Penha.
A naturalização de muitos diante da morte de tantos corpos negros pobres expostos a olho nu em praça pública nos faz ver a desumanização que ainda permeia boa parte da sociedade brasileira com sua herança maldita escravista e o horror do seu racismo “disfarçado”. Sob as vestes de uma operação “técnica” de segurança está o corpo estendido no chão banhado pelas lágrimas de mães desoladas. Esse corpo tem raça, gênero, classe. São jovens pretos favelados mais uma vez exterminados. Mas desta vez aos montes, vemos civis sob o ataque do Estado armado. Um Estado assassino, desde antes da República, mas agora com verniz de “democracia”.
A construção do inimigo terrorista tem alvo certo e serve para campanha eleitoral do atual governador do Rio de Janeiro. A que preço? A custa de quantas vidas? Quantos meios espúrios e macabros são necessários para essa política de morte? Quanto sangue para tanta sede de poder?
São tantas as perguntas e forte a indignação, que fica a dúvida: no Brasil tem pena de morte? Não, mas tem execução sumária diária e chacinas de pessoas negras nas chamadas “operações de segurança”. Tem banalidade do mal e indiferença apática diante da morte dessas pessoas, como se fossem males a serem exterminados. Tem naturalização de que certas vidas não são dignas, não são vivíveis e não são enlutáveis por uma nação que normaliza tais mortes e engrena automaticamente na rotina do dia seguinte. Tem governo racista que acha que essa é a solução para eliminar o crime organizado. O crime organizado fica, essas vidas nunca mais voltarão.
Choramos cada uma das mais de 120 mortes e exigimos responsabilização por esse crime de Estado. Estamos solidárias aos movimentos de luta e resistência que estão indo às ruas demonstrar indignação e reivindicar justiça.