VIDA, MORTE E RENASCIMENTO DO SER HUMANO: DO HUMANISMO MODERNO AO HUMANISMO COMPORTAMENTAL
Edição Julho-Dezembro: v. 1 n. 50 (2024) • Revista Ideação
Autor: José Antonio Damasio Abib, Carlos Eduardo Lopes, Carolina Laurenti
Resumo:
Este ensaio revisita o debate entre humanismo moderno e anti-humanismo com o objetivo de examinar a possibilidade de estabelecimento de um novo humanismo. Apresentamos a concepção de ser humano autônomo e desnaturalizado a partir do humanismo moderno. Indicamos que a crítica anti-humanista, catalisada pelas ciências humanas, atingiu parcialmente o cerne da concepção humanista. Mas, embora o anti-humanismo denunciasse o caráter ilusório da noção de autonomia humana, ele ainda preservou a ideia de um ser humano separado da natureza, reforçando a dicotomia entre as ciências naturais e as ciências humanas. Encontramos no relacionismo multidimensional de B. F. Skinner uma possibilidade do renascimento do ser humano. O que renasce, porém, não é o ser humano do humanismo moderno, pois nesse novo humanismo o ser humano não é desnaturalizado e suas atividades reflexivas e transformadoras se constituem intersubjetivamente e não isoladamente. Além disso, esse novo humanismo procura compreender o ser humano na relação transdisciplinar (e não dicotômica) entre diferentes ciências, ressuscitando as especificidades humanas na trindade antropológica espécie-indivíduo-sociedade, que constitui um mundo natural complexo governado por ordens vitais, individuais e socioculturais. Nesse novo humanismo, a condição humana define-se pela possibilidade de prospectar e gerar culturas e indivíduos sensíveis às diferentes vidas, humanas e não humanas, do presente e do futuro.
Abstract:
This essay revisits the debate between modern humanism and anti-humanism to examine the possibility of establishing a new humanism. We present the conception of an autonomous and denaturalized human being from modern humanism. We indicate that the anti-humanist criticism, catalyzed by the human sciences, partially reached the core of the humanist conception. Although anti-humanism had denounced the illusory nature of human autonomy, it still preserved the idea of a human being separated from nature, reinforcing the dichotomy between natural and human sciences. We find in B. F. Skinner's multidimensional relationism the possibility of the rebirth of the human being. What is reborn, however, is not the notion of a human being from modern humanism, as this reborn human being is not denaturalized, and its reflective and transformative activities are constituted intersubjectively and not in isolation. This new humanism seeks to understand the human being in the transdisciplinary (and non-dichotomous) relationship between different sciences. Human specificities are not supernatural but resurrect in the anthropological trinity species-individual-society, governed by vital, individual, and sociocultural orders. In this new humanism, the human condition is defined by the possibility of prospecting and generating cultures and individuals sensitive to different lives, human and non-human, of the present and the future.
ISSN: 2359-6384
DOI: https://doi.org/10.13102/ideac.v1i50.11120
Texto Completo: https://periodicos.uefs.br/index.php/revistaideacao/article/view/11120
Palavras-Chave: Humanismo; Anti-humanismo; Relacionismo.
Revista Ideação
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