PELOS RASTROS DA ARS EROTICA: NA GENEALOGIA DA SEXUALIDADE EM MICHEL FOUCAULT
Edição: Janeiro - Junho: v. 1 n. 51 (2025) • Revista Ideação
Autor: Regiane Lorenzetti Collares
Resumo:
A abordagem foucaultiana da sexualidade, especificamente, no contexto das aulas ministradas no Centro Universitário Experimental de Vincennes (1969), na formulação das heterotopias sexuais, indica se ligar ao volume introdutório da obra História da Sexualidade: a vontade de saber (1976) a partir do destaque de um contexto ético regulado pelos prazeres, a saber: a ars erotica. O panorama da arte erótica reportada por Foucault é apresentado como um espaço de contestação e contraponto histórico aos limites das classificações advindas da scientia sexualis, esta última vista como um campo de saberes que, em uma ordenação científica diante das questões do sexo, impôs-se como uma prática “insistente e indiscreta” a partir do final do século XIX. Portanto, o propósito deste artigo é examinar de que modo e até que ponto a ars erotica, a despeito de ser recorrentemente questionada pela inconsistência de sua efetividade histórica, figuraria antes como possibilidade de um espaço outro (heterotopia) de contestação ético-política que atravessou a obra de Foucault no que diz respeito às questões da sexualidade.
Abstract:
Foucault's approach to sexuality, both in the context of the classes taught at the Vincennes Experimental University Center (1969) and during the course The Genealogy of Modern Knowledge on Sexuality held at the University of São Paulo (1975), indicates a connection to the introductory volume of the work History of Sexuality: The Will to Know (1976) by highlighting an ethical context regulated by pleasures; whether in the formulation of the change in spaces and bodies in the Vincennes classes or in the indication of an ars erotica in the USP course. The broad panorama of erotic art presented by Foucault indicates a connection to a space of contestation and historical counterpoint to the limits of the classifications arising from scientia sexualis, the latter seen as a field of knowledge that, in a scientific ordering of sexual issues, imposed itself as an “insistent and indiscreet” practice from the end of the 19th century onwards. Therefore, the purpose of this article is to examine how and to what extent the ars erotica, despite being recurrently questioned due to the inconsistency of its historical effectiveness, would rather appear as a possibility of another space (heterotopia) of ethical-political contestation that permeated Foucault's work with regard to questions of sexuality.
ISSN: 2359-6384
DOI: https://doi.org/10.13102/ideac.v1i51.11323
Texto Completo: https://periodicos.uefs.br/index.php/revistaideacao/issue/view/444
Palavras-Chave: Sexualidade; Heterotopia; Prazer; Espaço.
Revista Ideação
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