FOUCAULT E A CRÍTICA ÀS CIÊNCIAS: ?ANTECÂMARAS? DA ARQUEOLOGIA

Edição: Janeiro - Junho: v. 1 n. 51 (2025) • Revista Ideação

Autor: Jorge Alberto Rocha

Resumo:

O “Prefácio da segunda edição” da Crítica da razão pura, de Kant, fala que a lógica não é uma ciência, mas sua “antecâmara”. Ou seja, que a formalidade de suas regras é requisito basilar para a constituições de todas as ciências, a construção lógica dos seus argumentos ou exposições, embora ela mesma não seja uma ciência como tal. Nos idos de 1960 Michel Foucault desenvolve o seu projeto arqueológico. Em comparação similar ao que fez Kant, mutatis mutandis, quais foram as “condições de possibilidade” para que esse novo método de estudo criado por Foucault fosse levado adiante? Segundo a posição que queremos defender aqui, um requisito incontornável seria tentar entender ora a constituição mesma das ciências que se colocavam como modelos de abordagem do real, seus mecanismos e quiçá distorções – segundo inúmeras “imagens apaziguadoras” de que se tinha delas – ora, por tudo isso, a legitimidade para se propor outro caminho de abordagem na esfera do saber. Os textos iniciais de Foucault sobre psicologia, somado à sua História da loucura, abrem caminhos promissores para um novo método arqueológico que seria proposto. Mas, antes de tudo, constituem vasto material para uma crítica ao modus operandi das ciências nunca deixado de lado...

Abstract:

The “Preface to the second edition” of Kant’s Criique of Pure Reasonsays that logic is not a science, but its “antechamber”. In other words, the formality of its rules is a basic requirement for the constitution of all sciences, the logical construction of their arguments or expositions, although it is not a science as such. In the 1960s Michel Foucault developed his archeological project. In a similar comparison to what Kant made, mutatis mutandis, what were the “conditions of possibility” for this new method of study created by Foucault to be carried forward? According to the position we want to defend here, an unavoidable requirement would be to try to understand either the very constitution of the sciences that stood as models of approaching the real, their mechanisms and perhaps distortions –according to countless “appeasing images” that we head of them –or, for all this, the legitimacy to propose another path of approach in the sphere of knowledge. Foucault's initial texts on psychology, added to his History of Madness, open promising paths for a new archaeological method that would be proposed. But, above all, they constitute vast material for a critique of the modus operandiof the sciences that has never been left aside.

ISSN: 2359-6384

DOI: https://doi.org/10.13102/ideac.v1i51.11300

Texto Completo: https://periodicos.uefs.br/index.php/revistaideacao/article/view/11300

Palavras-Chave: Foucault; ciências; psicologia; loucura; arqueologia

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